1.5.1 Navegando pelo computador
Antes de aprender qualquer comando do terminal, precisamos entender como os arquivos são organizados dentro do computador. Esse “como” é definido pelo sistema de arquivos.
Sistema de Arquivos
O sistema de arquivos serve para permitir que o sistema operacional guarde, encontre e organize informações. Sem ele, o computador não saberia onde um arquivo está, como acessá‑lo novamente ou como diferenciar um documento de outro. Tudo o que você cria ou usa — textos, imagens, programas, códigos — depende do sistema de arquivos para existir de forma organizada e recuperável.
Para cumprir esse papel, o sistema de arquivos trabalha com alguns elementos básicos, que se repetem em qualquer sistema operacional:
Arquivos: documentos, imagens, programas, código…
Pastas: utilizada para agrupar e organizar arquivos e outras pastas
Caminhos: a forma de ligar pastas e arquivos dentro da estrutura.
Esses elementos não ficam soltos. Eles seguem uma estrutura bem definida, que pode ser imaginada como uma árvore.
No ponto inicial dessa árvore existe uma pasta principal, chamada raiz. A partir dela, surgem outras pastas. Dentro dessas, podem existir mais pastas e também arquivos. Cada pasta ocupa um lugar específico nessa estrutura e está ligada a outras por uma relação de hierarquia. Não existem pastas “soltas”: toda pasta faz parte dessa árvore.
Quando você usa o Explorador de Arquivos no Windows, o Finder no macOS ou um gerenciador de arquivos no Linux, você está navegando por essa árvore de forma visual, clicando para entrar e sair de pastas. No terminal, fazemos exatamente a mesma coisa, mas usando comandos de texto em vez do mouse.
Como uma consequência dessa organização em árvore, sempre existe um lugar em que você está trabalhando. No terminal, esse lugar é chamado de diretório atual. Sempre que você abre o terminal, ele já começa em uma pasta específica, mesmo que isso não fique evidente à primeira vista. Todos os comandos que você digitar partem desse ponto.
Por isso, aprender a navegar no sistema de arquivos é essencial. Muitos erros comuns de quem está começando não têm a ver com comandos difíceis, mas com localização: estar na pasta errada, não saber onde um arquivo foi criado ou não entender como chegar a uma pasta específica.
Na interface gráfica, o sistema faz esse trabalho por você. Ao clicar em um ícone, ele já sabe onde o programa está e quais arquivos usar. No terminal, essa responsabilidade passa a ser sua. É como andar por um prédio grande: você só consegue usar o que está na sala em que se encontra, e para chegar a outra, precisa saber por onde andar.
Alguns outros termos que aparecem o tempo todo quando falamos de navegação no sistema de arquivos:
Diretório é apenas outro nome para pasta.
Diretório atual é a pasta em que você está neste momento.
Diretório acima, é a pasta imediatamente acima da atual na hierarquia.
O conceito de diretório acima é mais conhecido como diretório pai (parent directory). Em inglês, parent indica apenas uma relação imediata de hierarquia: a pasta diretamente acima da atual, como um “pai” ou “mãe” na família de pastas. A tradução literal para “pai” traz gênero, mas o significado correto é apenas diretório de nível superior imediato. Por isso, usamos diretório acima, que é neutro e descreve a relação hierárquica sem referência de gênero.
Representação de caminhos
Agora que entendemos como o sistema de arquivos funciona, podemos ver como o computador indica a localização de arquivos e pastas. Essa localização é expressa por meio de um caminho (path).
Um caminho é como um mapa ou endereço: ele mostra passo a passo como chegar até uma pasta ou arquivo dentro da árvore de arquivos.
Existem dois tipos de caminhos:
Caminho absoluto: mostra o caminho desde o início da árvore (raiz).
Caminho relativo: mostra o caminho a partir do diretório em que você está agora.
Podemos imaginar assim:
O caminho absoluto é como um endereço completo de casa, contendo informação de país, cidade, cep, rua, número e complemento.
O caminho relativo é como dar instruções para alguém que já está na mesma rua que você, dizendo “entre na segunda porta à direita”.
Exemplo de caminho absoluto
Por exemplo, em sistemas Linux e macOS, um caminho absoluto pode ser escrito assim:
Esse caminho descreve, passo a passo, o percurso desde o ponto inicial do sistema de arquivos até o arquivo desejado.
O primeiro
/representa a pasta raiz, o início da árvore do sistema de arquivos.Dentro da raiz existe a pasta
home.Dentro de
homeexiste a pastacumbuca.Dentro de
cumbucaestá o arquivonotas.txt.
Ou seja, esse caminho pode ser lido como “a partir da raiz, entre em home, depois em cumbuca, até chegar ao arquivo notas.txt”.
No Windows, a ideia é a mesma, mas a escrita do caminho muda um pouco. Um exemplo equivalente seria:
Nesse caso:
C:é a raiz, que funciona como o ponto inicial daquela árvore de arquivos.Dentro de
C:existe a pastaUsers.Dentro de
Usersestá a pasta do usuário,cumbuca.Dentro dela está o arquivo
notas.txt.
Apesar das diferenças na forma de escrever, o conceito é idêntico em todos os sistemas: um caminho absoluto sempre descreve uma rota única, desde o início da estrutura (raíz) até um arquivo ou pasta específica.
Exemplos de caminho relativo
O caminho relativo não começa da raiz, mas do diretório em que você está no momento. Ele funciona como instruções de navegação a partir do lugar em que você está, sem precisar repetir toda a rota desde o início.
Vamos começar com um cenário simples: o arquivo cujo endereço você quer está na mesma pasta atual. Por exemplo, imagine que você está no diretório /home (Linux/macOS) e dentro dele existe uma pasta chamada cumbuca. Dentro de cumbuca está o arquivo notas.txt.
Caminho absoluto do arquivo:
/home/cumbuca/notas.txtDiretório atual:
/home
Para acessar o arquivo sem precisar escrever o caminho completo, você pode usar o caminho relativo:
Nesse caso, você está dizendo: “começando da pasta onde estou (/home), entre na pasta cumbuca e abra o arquivo notas.txt”. Não precisamos mencionar a raiz /, porque já sabemos onde estamos.
No Windows, a mesma situação seria:
Caminho absoluto:
C:\Users\cumbuca\notas.txtDiretório atual:
C:\UsersCaminho relativo:
Agora vamos para um segundo cenário: o arquivo está em uma pasta acima da atual. Por exemplo, imagine que você está dentro da pasta /home/cumbuca/projetos/docs e quer acessar o arquivo app.txt, que está em /home/cumbuca/projetos.
Caminho absoluto:
/home/cumbuca/projetos/app.txtDiretório atual:
/home/cumbuca/projetos/docs
Para chegar a app.txt a partir da pasta onde você está, usamos o caminho relativo:
O .. significa “uma pasta acima”. Aqui, você está em docs e sobe um nível para projetos, onde encontra o arquivo app.txt.
No Windows, seria o mesmo:
Caminho absoluto:
C:\Users\cumbuca\projetos\app.txtDiretório atual:
C:\Users\cumbuca\projetos\docsCaminho relativo:
Novamente, .. indica que você deve subir uma pasta a partir de onde está atualmente.
Principais comandos de navegação
Depois de entender como o sistema de arquivos funciona, os comandos de navegação ficam muito mais claros. Eles são simples e bastante parecidos entre os sistemas operacionais. Abaixo estão os principais comandos, com explicações e exemplos de saída.
1. Ver em que pasta você está
Comando no Linux/macOS/Windows (CMD/PowerShell):
O que faz:
Mostra na tela o endereço diretório atual, ou seja, a pasta em que você está no momento.
Saída:
O endereço diretório atual.
Exemplo de saída no Linux/macOS:
Exemplo de saída no Windows:
2. Listar arquivos e pastas do diretório atual
Comando no Linux/macOS:
Comando no Windows (CMD/PowerShell):
O que faz:
Lista na tela todos os arquivos e pastas do diretório atual.
Saída:
Todos os arquivos e pastas do diretório atual.
Exemplo de saída no Linux/macOS:
Exemplo de saída no Windows:
3. Entrar em uma pasta
Comando no Linux/macOS/Windows (CMD/PowerShell):
Exemplo de comando:
O que faz:
Muda o diretório atual para a pasta indicada.
Saída: nenhuma.
Para verificar:
Utilize o comando pwd.
Exemplo de verificação no Linux/macOS:
Saída do comando
pwdantes:
Saída do comando
pwddpois decd projetos:
Exemplo de verificação no Windows (CMD/PowerShell):
Saída do comando
pwdantes:
Saída do comando
pwddepois decd projetos:
4. Voltar para a pasta imediatamente acima
Comando no Linux/macOS/Windows (CMD/PowerShell) :
O que faz:
Sobe um nível na hierarquia, para o diretório pai.
Saída:
Nenhuma.
Para verificar:
Utilize o comando pwd.
Exemplo de verificação no Linux/macOS:
Saída do comando
pwdantes:
Saída do comando
pwddepois decd ..:
Exemplo de verificação no Windows (CMD/PowerShell):
Saída do comando
pwdantes:
Saída do comando
pwddepois decd ..:
5. Ir direto para a pasta pessoal do usuário
Comando no Linux/macOS/Windows (CMD/PowerShell):
O que faz:
Altera o diretório atual para a pasta pessoal do usuário, independentemente de onde você está.
Saída:
Nenhuma.
Para verificar:
Use pwd.
Exemplo de verificação no Linux/macOS:
Saída do comando
pwdantes:
Saída do comando
pwddepois decd ~:
Exemplo de verificação no Windows (CMD/PowerShell):
Saída do comando
pwdantes:
Saída do comando
pwddepois decd ~:
Se perder no sistema de arquivos faz parte do aprendizado. Mesmo pessoas experientes conferem constantemente onde estão e o que existe ao redor usando comandos como pwd, ls e dir. Isso não é sinal de insegurança, mas de atenção.
No próximo tópico, vamos aprender a manipular arquivos, agora que você já sabe se localizar dentro do sistema de arquivos com mais clareza e confiança.
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